PF - Quadrilha de cobrança de propina, o esquema envolve policiais rodoviários federai
| Foto: Ilustrativa |
RIO - Depois de mais de três anos de investigações, a Polícia Federal identificou o que está sendo considerado uma das maiores redes de corrupção já descobertas atuando nas estradas do Rio. O esquema envolve policiais rodoviários federais, que, com a ajuda de policiais civis e militares, cobram propinas regulares, numa espécie de mensalão, de empresários e caminhoneiros, para que possam circular livremente nas principais rodovias do estado, com qualquer tipo de carga, legal ou ilegal. O grupo também estaria envolvido em outros crimes, como contrabando, extorsão e tráfico de drogas. Ao todo, mais de cem pessoas foram identificadas e denunciadas à Justiça Federal e ao Ministério Público Federal por ligação com os crimes. Do grupo fazem parte cerca de 80 policiais rodoviários federais, o correspondente a quase um sétimo do total (cerca de 600) de agentes da corporação no Estado do Rio.
Os patrulheiros acusados são de cinco delegacias no Estado do Rio e estão lotados nos postos da Via Dutra, da Rio-Teresópolis, da Washington Luís e da Ponte Rio-Niterói. Eles são suspeitos de ter conexões com policiais e outras pessoas dos demais estados da Região Sudeste. Com a ajuda de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e de agentes infiltrados na quadrilha, o esquema foi descoberto por policiais federais do Rio, com apoio da Divisão de Fiscalização e Assuntos Internos da Polícia Rodoviária Federal de Brasília.
Funcionários como cúmplices
Em alguns casos, os policiais rodoviários contariam com a colaboração até de funcionários de empresas rodoviárias, que atuariam como espiões, passando informações privilegiadas sobre cargas e itinerários dos caminhões. A partir dessa rede de contatos, com a participação muitas vezes de policiais civis e PMs do Rio, os patrulheiros eram convocados até em dias de folga para participar de operações clandestinas para apreender contrabando vindo do Paraguai. O material, quase sempre produtos eletrônicos e calçados, não era apresentado nas delegacias da Polícia Civil, e sim revendido pela quadrilha.

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