Separação, Juliana e Larissa expõem divergências: 'A vida segue'
O que dizer se o Doutor Watson abandonasse Sherlock Holmes? Ou se o Gordo decidisse seguir carreira solo e deixasse o Magro? Parece difícil imaginar que certas duplas possam caminhar separadas. Entretanto, uma das parcerias mais bem-sucedidas da história recente do esporte brasileiro está com os dias contados. Larissa, 30 anos, que joga ao lado de Juliana, 29 anos, há nove anos, anunciou, em outubro, que pretende se afastar do vôlei de praia ao fim desta temporada e tocar outros planos sozinha. Juliana continuará na modalidade, com outra parceira.
A decisão veio após mais de mil vitórias, sete títulos do Circuito Mundial, dois pan-americanos, um bronze olímpico e uma longa lista de títulos e recordes. Em quase 40 minutos de conversa com o GLOBOESPORTE.COM/CE, a dupla falou sobre o ouro olímpico que não veio, a grandeza das americanas Walsh e May e a separação.
A história com o vôlei começou em 2001, e um ano depois a dupla passou pelas primeiras provações. Juliana, aos 19 anos, rompeu o ligamento do joelho, e Larissa, que estava com 20, teve problemas com hérnia de disco. No entanto, recuperaram-se e, em 2005, venceram o primeiro Circuito Mundial. As jogadoras encontraram no Ceará o local perfeito para construir uma vida. Juliana, paulista, e Larissa, capixaba, pretendem continuar em Fortaleza mesmo após o fim da dupla.
- Eu não nasci aqui, mas eu sou federada pelo Ceará. Então, todo mundo já associa ao meu nome. É a Juliana do Ceará. – afirma a santista.
O ouro olímpico, no entanto, é um ponto de divergência da dupla. Embora as duas reconheçam o diferencial da medalha dourada, Larissa valoriza o suor gasto nas outras competições e diz que não trocaria os títulos já conquistados pelo lugar mais alto do pódio das Olimpíadas.
- Eu acho que todos os títulos são muito importantes: Mundial, Pan-Americano, tudo... – ressalta.
Juliana, no entanto, ressalta a importância do torneio e revela que trocaria todos os títulos já conquistados pelo lugar mais alto do pódio olímpico.
- Ser campeã do mundo, sem dúvida, é uma coisa única, mas o Circuito Mundial tem todo ano. Olimpíadas, só de quatro em quatro anos – explica
Confira as histórias, as discordâncias e o que elas pensam para o futuro após a separação.
Larissa: Olha, eu acho que a gente escreveu uma história muito bonita no vôlei de praia. Apesar de ser um esporte em que todo mundo olha e diz: 'Nossa, que legal, você vai à praia todo dia', a gente sabe que é muito difícil. Não temos substituição, enfrentamos o vento, o frio, a chuva, o calor. É muito sacrificante. Eu me sinto muito orgulhosa. Eu acho que o que a gente fez é uma coisa que dificilmente outra dupla vai conseguir fazer, porque se manter assim durante tantos anos é difícil. Eu não sei se posso dizer que nós fomos a melhor dupla do mundo, ou que eu sou a melhor jogadora do mundo, acho que isso não cabe. Mas dizer que a gente formou uma dupla que dificilmente outra vai conseguir bater, dá sim. E eu tenho certeza de que muitas pessoas vão lembrar e vão pensar em inúmeras vitórias, e isso eu vou levar para o resto da minha vida.
Juliana: Acho que eu e a Larissa colocamos o nosso nome na história do vôlei de praia, sem dúvida. A gente é um marco. Mas eu não considero a melhor dupla do mundo porque, juntas, não ganhamos as Olimpíadas. Acho que ficou faltando isso. E quem ganha uma medalha de ouro em Olimpíadas é diferenciado. Infelizmente, a gente não ganhou. Ganhamos inúmeros títulos. Houve temporadas em que nós fomos a melhor dupla, não tenho dúvidas disso. Mas a melhor dupla da história, não. Por esse motivo, pela falta da medalha de ouro, vai ficar sempre essa dúvida, essa pergunta. O brilho (das outras conquistas) não é apagado por causa disso. Batemos vários recordes em um curto espaço de tempo.
O nosso começo foi meteórico. Duas meninas novas, aprendemos a vencer uma com a outra. Então nós temos peculiaridades que outras duplas não tiveram. Eu e a Larissa aprendemos a ganhar e perder juntas - muito mais ganhar do que perder. Eu acho que, se a gente tivesse ganhado a medalha de ouro em 2008, aí dava para dizer que a gente tinha fechado esse ciclo com chave de ouro.
Por: G1.globo.com
Juliana e Larissa, em um dos poucos momentos de descontração dupla na entrevista ao Globoesporte.com (Foto: Roberto Leite/Globoesporte.com)

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