Relatório da AGU revela 'indícios relevantes' de fraudes na Antaq
Uma auditoria feita pela Corregedoria Geral da Advocacia da União (CGAU) encontrou "indícios relevantes de interferências externas" em pareceres emitidos pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), informou nesta quinta-feira (27) a Advocacia Geral da União (AGU).
Ainda segundo relatório divulgado, "não foram encontrados indícios de práticas ou atos que possam caracterizar irregularidade" em pareceres da Agência Nacional das Águas (ANA) e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Os três órgãos foram alvos da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, que investigou fraudes em pareceres de órgãos federais. Foram indiciados e exonerados por envolvimento em um esquema ilegal de tráfico de influência Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo; o ex-diretor da ANA Paulo Vieira; o ex-chefe de gabinete da Antaq Ênio Soares Dias; o ex-procurador-geral da Antaq Glauco Cardoso; e foi afastado o diretor da Anac Rubens Vieira, irmão de Paulo Vieira.
Outro indiciado pela PF foi José Weber Holanda, segundo na hierarquia da AGU. Ele é alvo de uma auditoria interna na Advocacia, que teve o prazo prorrogado nesta quinta por mais 30 dias, segundo a assessoria de imprensa do órgão, e só será concluída no começo de 2013.
A AGU informou que uma equipe de 14 advogados da União e procuradores da Fazenda Nacional analisou, desde 3 de dezembro, mais de 300 pareceres emitidos pelas procuradorias de ANA, Antaq e Anac. O único órgão com indícios de fraude foi a Antaq, conforme o relatório produzido.
Entre as irregularidades constatadas estão "ausência de critérios objetivos de distribuição, transparência e segurança do andamento regular de processos, bem como fragilidades no controle do trâmite interno de documentos possibilitando interferências externas".
A AGU afirma que há "indícios relevantes de interferências externas na condução dos processos referentes à Ilha de Bagres", alvo da Operação Porto Seguro e na qual foi construído um porto privado. O relatório diz que "verificou-se a presença frequente do ex-diretor da ANA, Paulo Vieira" junto à Antaq.
O G1 procurou a assessoria de imprensa do órgão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.


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